http://criadoreumso.blogspot.com
OS DIREITOS AUTORAIS DE "SOLILÓQUIOS E VIDA FELIZ" JÁ CADUCARAM, POIS O AUTOR FALECEU NO ANO 430 DE NOSSA ERA. PORTANTO, HÁ MAIS DE SETENTA ANOS. POSSO POSTAR, VOCÊ PODE COPIAR. É DE DOMÍNIO PÚBLICO. LEI 9610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998 - ART. 41. OS DIREITOS PATRIMONIAIS DO AUTOR PERDURAM POR SETENTA ANOS CONTADOS DE 1° DE JANEIRO DO ANO SUBSEQÜENTE AO DE SEU FALECIMENTO, OBEDECIDA A ORDEM SUCESSÓRIA DA LEI CIVIL. PARÁGRAFO ÚNICO. APLICA-SE ÀS OBRAS PÓSTUMAS O PRAZO DE PROTEÇÃO A QUE ALUDE O CAPUT DESTE ARTIGO.
QUEM CONVERSA, DE FATO, COM AGOSTINHO? SEU "EU" SUPERIOR? SEU ANJO DA GUARDA? NÃO É UM DIÁLOGO, CONFORME ELE — É UM SOLILÓQUIO.
(continuação)
Amor às coisas corporais e exteriores.
R — Não observas que os olhos do corpo, ainda que estejam sãos, com frequência são reverberados pela luz solar e se desviam dela buscando a sombra? Mas pensas no que já progrediste e não pensas no que desejas ver. Discutirei com aquilo em que achas ter feito progresso. Não desejas riquezas?
A – Há tempos que não me atraem. Tenho 33 anos e já faz quase 14 anos que deixei de desejá-las. Nada mais me interessa delas senão, se acontecer que eu chegue a possuí-las, apenas o necessário sustento e o seu uso liberal. Um livro de Cícero facilmente me convenceu de que as riquezas não devem ser de modo algum ambicionadas, mas sim, se advirem, devem ser administradas com muita retidão e cautela.
R — E quanto às honras?
A — Confesso que deixei de desejá-las há pouco tempo, nesses dias.
R — E uma esposa? Não te daria prazer uma esposa bonita, honesta, de bons costumes, culta, ou que facilmente pudesse ser instruída por ti, trazendo um dote apenas suficiente (pois menosprezas a riqueza) para não onerar por causa do teu repouso, principalmente esperando e estando certo de que assim não sofrerias nenhuma enfermidade?
A — Por mais que queiras pintá-la e cumulá-la de todas essas vantagens, decidi que nada devo evitar tanto como a coabitação conjugal. Acho que não existe nada que possa abater o ânimo viril mais que as carícias femininas e o contato dos corpos, sem o qual não se pode ter esposa. Por isso, se é obrigação do sábio dedicar-se aos filhos (o que ainda não constatei), e só por isso é que ele coabita, isso parece-me que é mais de se admirar, mas de modo algum imitar; pois há maior perigo em tentar fazer que felicidade em ser capaz de fazê-lo. Pelo que acho que minha decisão de não desejar nem procurar esposa nem casar-me foiuma decisão suficiente, justa e útil, pela liberdade de minha alma.
R — Mas agora pergunto não sobre tua decisão, mas se ainda lutas ou, então, já venceste a libido? Pois se trata da saúde de teus olhos.
A — Nada disso mais eu procuro, nada desejo; recordo-me de tais coisas até com repulsa e menosprezo. Que mais queres? Este bem aumenta em mim a cada dia, pois quanto mais aumenta a esperança de ver aquela beleza pela qual ferve-me um veemente desejo, tanto mais se convertem a ela todo o meu amor e deleite.
R — Que dizer do prazer dos alimentos, qual a tua preocupação?
A — Em nada me atraem aqueles alimentos que decidi não comer. Mas confesso que sinto prazer naqueles que não eliminei; contudo, de tal modo que não há nenhum apego interno quando são retirados depois de vistos ou saboreados. E quando não os vejo, nem sequer me vem esse desejo para impedir minhas reflexões. Por isso, não me perguntes nada sobre comida e bebida, ou de banhos ou outros prazeres do corpo. Desejo essas coisas apenas à medida que possam contribuir para a saúde.
(continua)
(Por Aurelius Augustinus *354 +430).
20/04/2012 (Sexta-feira)
![]() |
| ILUMINE-SE! |
QUEM CONVERSA, DE FATO, COM AGOSTINHO? SEU "EU" SUPERIOR? SEU ANJO DA GUARDA? NÃO É UM DIÁLOGO, CONFORME ELE — É UM SOLILÓQUIO.
(continuação)
Amor às coisas corporais e exteriores.
R — Não observas que os olhos do corpo, ainda que estejam sãos, com frequência são reverberados pela luz solar e se desviam dela buscando a sombra? Mas pensas no que já progrediste e não pensas no que desejas ver. Discutirei com aquilo em que achas ter feito progresso. Não desejas riquezas?
A – Há tempos que não me atraem. Tenho 33 anos e já faz quase 14 anos que deixei de desejá-las. Nada mais me interessa delas senão, se acontecer que eu chegue a possuí-las, apenas o necessário sustento e o seu uso liberal. Um livro de Cícero facilmente me convenceu de que as riquezas não devem ser de modo algum ambicionadas, mas sim, se advirem, devem ser administradas com muita retidão e cautela.
R — E quanto às honras?
A — Confesso que deixei de desejá-las há pouco tempo, nesses dias.
R — E uma esposa? Não te daria prazer uma esposa bonita, honesta, de bons costumes, culta, ou que facilmente pudesse ser instruída por ti, trazendo um dote apenas suficiente (pois menosprezas a riqueza) para não onerar por causa do teu repouso, principalmente esperando e estando certo de que assim não sofrerias nenhuma enfermidade?
A — Por mais que queiras pintá-la e cumulá-la de todas essas vantagens, decidi que nada devo evitar tanto como a coabitação conjugal. Acho que não existe nada que possa abater o ânimo viril mais que as carícias femininas e o contato dos corpos, sem o qual não se pode ter esposa. Por isso, se é obrigação do sábio dedicar-se aos filhos (o que ainda não constatei), e só por isso é que ele coabita, isso parece-me que é mais de se admirar, mas de modo algum imitar; pois há maior perigo em tentar fazer que felicidade em ser capaz de fazê-lo. Pelo que acho que minha decisão de não desejar nem procurar esposa nem casar-me foiuma decisão suficiente, justa e útil, pela liberdade de minha alma.
R — Mas agora pergunto não sobre tua decisão, mas se ainda lutas ou, então, já venceste a libido? Pois se trata da saúde de teus olhos.
A — Nada disso mais eu procuro, nada desejo; recordo-me de tais coisas até com repulsa e menosprezo. Que mais queres? Este bem aumenta em mim a cada dia, pois quanto mais aumenta a esperança de ver aquela beleza pela qual ferve-me um veemente desejo, tanto mais se convertem a ela todo o meu amor e deleite.
R — Que dizer do prazer dos alimentos, qual a tua preocupação?
A — Em nada me atraem aqueles alimentos que decidi não comer. Mas confesso que sinto prazer naqueles que não eliminei; contudo, de tal modo que não há nenhum apego interno quando são retirados depois de vistos ou saboreados. E quando não os vejo, nem sequer me vem esse desejo para impedir minhas reflexões. Por isso, não me perguntes nada sobre comida e bebida, ou de banhos ou outros prazeres do corpo. Desejo essas coisas apenas à medida que possam contribuir para a saúde.
(continua)
(Por Aurelius Augustinus *354 +430).

Nenhum comentário:
Postar um comentário