Lírio Verde
( V )
Em sua autobiografia, ora narra, ora descreve... e assim segue o filho de Mônica. Trabalha também com aspectos epistolares, o que prende o leitor à sua experiência de vida. Em certos momentos, chega a salmodiar ao Deus que o convertera pela graça via as palavras de Paulo. Na realidade, Agostinho caminha pela Bíblia, mostrando-se grande conhecedor das Escrituras, sentindo-a presente em suas vivências, pois escrevia a partir de sua ótica religiosa. Duas coisas se destacam ao percorrer seus escritos, pois de um lado há o temor a Deus, e, de outro, a confiança na Sua infinita misericórdia. O autor sente-se mesmo como filho amparado pelo Pai, e nisso encontra forças para tudo enfrentar na vida. O que se revela com bastante nitidez na leitura é a grande fé que acompanha esse doutor da Igreja. A familiaridade com o divino é explícita. Confissões também é um livro em que a exortação à luta interior tem um grande foco, e, sem esta, todas as outras nada valem. Neste sentido, Agostinho chega a fazer drama ao contar suas experiências, estando longe e perto do bem. De outra perspectiva, essa sua obra pode ser olhada como incentivadora no que diz respeito aos que se sentem perdidos, angustiados, cansados enquanto descrentes a vagar por mares sem ancoradouro. Sim, o bispo de Hipona também soube ser poeta ao não perder de vista os sentimentos mais profundos da alma humana. E exorta todos a se escutarem, para encontrar aí a voz de Deus. "Ouça, pois, vossa voz em seu interior, quem puder!" (Pág. 21)
http://criadoreumso.blogspot.com
04/06/2011 (Sábado)
Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.
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