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GALÁXIA, ALFA, Brazil
Simples como a brisa, complexo como nós. Nascido em 25/5/1925.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

AS DEZ CATEGORIAS DE ARISTÓTELES - ( II ) - LIVRO QUARTO

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13/06/2011 (Segunda-feira)


CAPÍTULO XVI

Era pois falso o que pensava de ti, e não verdade; ilusões de minha miséria, e não representação sólida de tua beleza. Havias ordenado, Senhor, e assim se cumpria em mim tua vontade, que a terra me produzisse abrolhos e espinhos, e que eu só conseguisse meu pão à custa de trabalho.

De que me aproveitava também ler e compreender por mim mesmo todos os livros que pudesse ter nas mãos sobre as artes chamadas liberais, se eu era então escravo de minhas más inclinações? Comprazia-me em sua leitura, sem atinar de onde vinha quanto de verdadeiro e certo achava neles; eu estava de costas para a luz, e o rosto, para os objetos iluminados, e por isso meus olhos, que os viam iluminados, não recebiam luz.

Tu sabes, Senhor, meu Deus, como sem ajuda de mestre, aprendi tudo o que li, quanto às leis da retórica, da dialética, da geometria, da música e da matemática, porque também a vivacidade da inteligência e a agudeza da intuição são dons teus. Mas não te oferecia por eles sacrifício algum, e por isso causavam-me mais dano do que proveito. Insisti em me apoderar da melhor parte de minha herança, e não guardei em ti minha força, mas afastei-me de ti para uma região longínqua, a fim de dissipá-la entre as meretrizes de minhas paixões.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) Pág. 97

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SONHO DE MÔNICA ( II ) LIVRO TERCEIRO

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08/06/2011 (Quarta-feira)


De onde veio este sonho, senão dos ouvidos que tinhas atentos a seu coração, ó Deus bom e onipresente, que cuidas de cada um de nós como se não tivesses outro para cuidar, zelando de todos como de cada um!

E como explicar o que se segue? Contou-me minha mãe esta visão, e querendo-a eu persuadir que significava o contrário, e que não devia desesperar de ser algum dia o que eu era, isto é, maniqueísta, ela, sem nenhuma hesitação, me respondeu: "Não; não me foi dito: onde ele está ali estarás tu, mas onde tu estás ali estará ele também"


Confesso, Senhor, e muitas vezes disse que, pelo que me recordo, me abalou mais esta tua resposta pela solicitude de minha mãe, imperturbável diante de explicação falsa e ardilosa, e por ter visto o  que se devia ver - e que eu certamente não veria sem que ela o dissesse - que o mesmo sonho com o qual anunciaste a esta piedosa mulher com tanta antecedência, a fim de consolá-la em sua aflição presente, uma alegria que só havia de se realizar muito tempo depois.

Seguiram-se, efetivamente, quase nove anos, durante os quais continuei a me resolver naquele abismo de lodo e trevas de erro, afundando-me tanto mais quanto mais esforços fazia para me libertar. Entretanto, aquela piedosa viúva, casta e sóbria como as que tu amas, já um pouco mais alegre com a esperança, porém, não menos solícita em suas lágrimas e gemidos, não cessava de chorar por mim em em tua presença em todas as horas de suas orações; e suas preces eram aceitas a teus olhos, mas deixavas-me ainda resolver-me e envolver-me naquela escuridão.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) Pág. 77

segunda-feira, 6 de junho de 2011

0 SONHO DE MÔNICA ( I ) LIVRO TERCEIRO

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06.06.2011 (Segunda-feira)


Mas estendeste tua mão do alto, e arrancaste minha alma deste abismo de trevas, enquanto minha mãe, tua fiel serva, chorava-me diante de ti muito mais do que as outras mães costumavam chorar sobre o cadáver dos filhos, pois via a morte da minha alma com a fé e o espírito que havia recebido de ti. E tu a escutastes, Senhor, tu a ouviste e não desprezaste suas lágrimas que, brotando copiosas, regavam o solo debaixo de seus olhos por onde fazia sua oração; sim tu a escutate, Senhor. Com efeito, donde podia vir aquele sonho, com que a consolaste, ao ponto de me admitir em sua companhia e mesa, fato que havia me negado porque aborrecia e detestava as blasfemeas de meu erro?

Nesse sonho viu-se de pé sobre uma régua de madeira; e um jovem resplandecente, alegre e risonho que vinha ao seu encontro, triste e amarga. Este lhe perguntou a causa de sua tristeza e lágrimas diárias, não por curiosidade, como sói acontecer, mas para instruí-la; e respondendo-lhe ela que chorava a minha perdição, mandou-lhe, para sua tranquilidade, que prestasse atenção e visse que onde ela estava também estaria eu. Apenas olhou, viu-me junto de si, de pé sobre a mesma régua.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) Pág.76

sábado, 4 de junho de 2011

MORAL E COSTUMES ( II ) LIVRO TERCEIRO

Lírio Verde
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04/05/2011 (Sábado)

O mesmo se deve dizer dos crimes perpetrados com desejo de causar mal, quer por agressão, quer por injúria; e ambas as coisas, ou por desejo de vingança, como ocorre entre inimigos, ou por alcançar algum bem sem trabalhar, como o ladrão que rouba ao viajante; ou para evitar algum mal, como acontece com o que teme; ou por inveja, como quando um miserável quer mal ao que é mais feliz, ou ao que conseguiu riquezas, temendo ser igualado ou que já lhe sejam iguais; ou unicamente pelo prazer de ver o mal alheio,  como acontece com o espectador dos combates dos gladiadores, ou com o que se ri e zomba dos outros.

Tais são os princípios ou fontes de iniquidade, que nascem da paixão de mandar, de ver ou de sentir, quer de uma só dessas paixões, ou de duas, ou de todas juntas. Razão por que se vive no mal, ó Deus altíssimo e dulcíssimo, contra o saltério de dez cordas, teu decálogo.

Mas, que pecado pode atingir a ti, que não és atingido pela corrupção? Ou que crimes podem ser cometidos contra ti, a quem ninguém pode causar danos? O que vingas são os crimes que os homens cometem contra ti, porque, mesmo quando pecam contra ti, agem impiamente contra suas próprias almas, e sua iniquidade engana-se a si própria, quer corrompendo e pervertendo sua natureza - feita e ordenada por ti - quer usando imoderadamente das coisas permitidas, ou até desejando imoderadamente as não permitidas, pelo uso daquilo que é contra a natureza?

Pecam também os que com o pensamento e a palavra se revoltam contra ti, dando coices contra o aguilhão; ou quando, uma vez quebrados os limites da sociedade humana, alegram-se audaciosamente com as facções ou desuniões, de acordo com suas simpatias ou antipatias. E tudo isso o homem faz quando és abandonado, fonte de vida, único e verdadeiro criador e senhor do universo, e com orgulho egoísta ama-se uma parte do todo como se fosse o todo.

Essa a razão pela qual só se pode voltar para ti com piedade humilde, para assim nos purificares nossos maus cotumes; pela piedade te mostras propícios com os pecados dos que te confessam, e ouves os gemidos dos cativos, e nos livras dos grilhões que nós mesmos forjamos, contanto que não ergamos contra ti os chifres de uma falsa liberdade, quer arrastados pela cobiça de mais haveres, quer pelo temor de perder tudo, preferindo nosso próprio egoísmo a ti, Bem de todos.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) pág. 74



sexta-feira, 3 de junho de 2011

MORAL E COSTUMES ( I ) LIVRO TERCEIRO

Lírio Verde

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03/06/2011 (Sexta-feira)

(Capítulo VII)

Acaso será em alguma parte e momento injusto amar a Deus de todo coração, com toda a alma e com todo o entendimento, e amar ao próximo como a nós mesmos? Por isso, todos os pecados contra a natureza, como o foram os dos sodomitas, hão de ser detestados e castigados sempre e em toda parte, pois, mesmo que todos os cometessem, não seriam menos réus de crime diante da lei divina, que não fez os homens para usar tão torpemente de si; de fato viola-se a união que deve existir com Deus quando a natureza, da qual ele é autor, se mancha com a depravação das paixões.

Com relação aos pecados que são contra os costumes humanos, também hão de ser evitados de acordo com a diversidade dos costumes, a fim de que o pacto mútuo entre povos e nações, firmado pelo costume ou pela lei, não seja quebrado por nenhum capricho de cidadão ou forasteiro, porque é indecorosa a parte que não se acomoda ao todo.

Todavia, quando Deus ordena algo contra tais costumes ou pactos, sejam quais forem, deve ser obedecido, embora o que mande nunca tenha sido feito; e se não foi cumprido, deve ser restaurado, e se não estava estabelecido, deve-se estabelecer. Se é lícito a um rei mandar na cidade que governa coisas que ninguém antes dele e nem ele próprio havia mandado, e se não é contra o bem da sociedade obedecê-lo, antes o seria o não obedecê-lo - por ser pacto básico de toda sociedade humana obedecer a seus reis - quanto mais deveria ser Deus obedecido sem titubeios em tudo que mandar, como rei do universo? Porque, assim como entre os poderes humanos o maior poder se antepõe ao menor, para que este lhe preste obediência, assim Deus antepõe-se a todos.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) pág. 73




quarta-feira, 1 de junho de 2011

CEGUEIRA DO PAI, CUIDADOS DA MÃE (II)

Lírio Verde

Criar seu atalho

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01/05/2011 (Quarta-feira)

Capítulo III

Mas, nessa época, já tinhas começado a levantar, no coração de minha mãe, teu templo e os alicerces de tua santa morada; meu pai não era mais que catecúmeno, recente ainda. Por isso minha mãe perturbou-se com santo temor. Embora eu ainda não fosse batizado, temia que eu seguisse as sendas tortuosas por onde andam os que te voltam as costas, e não o rosto.

Ai de mim! Como me atrevo a dizer que te calavas quando me afastava de ti? Seria verdade que então te calavas comigo? E de quem eram, senão tuas, aquelas palavras que pela boca de minha mãe, tua serva fiel, sussurraste em meus ouvidos, embora nenhuma delas penetrasse em meu coração, para que a cumprisse?

Lembro que um dia me admoestou em segredo, com grande solicitude, que me abstivesse da luxúria e, sobretudo, que não cometesse adultério com a mulher de ninguém. Porém, esses conselhos pareciam-me próprios de mulheres, e eu me envergonharia de segui-los. Mas, na realidade, eram teus, embora eu não o soubesse, e por isso julgava que te calavas, e que era ela quem me falava; e eu te desprezava em tua serva, eu, seu filho, filho de tua serva e servo teu, a ti que não cessavas de me falar pela sua boca.

Mas eu não o sabia, e me precipitava com tanta cegueira, que me envergonhava entre os companheiros de minha idade, de ser menos torpe do que eles. Os ouvia jactar-se de suas maldades, e gloriar-se tanto mais quanto mais infames eram; assim eu gostava de fazer o mal não só pelo prazer, mas ainda por vaidade. O que há de mais digno de vitupério do que o vício? E, contudo, para não ser escarnecido, tornava-me mais viciado e, quando não houvesse cometido pecado que me igualasse aos mais perdidos, fingia ter feito o que não cometera, para que não parecesse mais abjeto quanto mais inocente, e tanto mais vil quanto mais casto.

Eis com que companheiros andava eu pelas praças de Babilônia, revolvendo-me na lama, como em cinamomo e unguentos preciosos. E, para que esse lodo se me pegasse bem firme, subjulgava-me o inimigo invisível, e me seduzia, por ser eu presa fácil da sedução.

Nem então minha mãe carnal, que já fugira do meio de Babilônia, mas que em outras coisas caminhava mais devagar, cuidou - como fizera ao aconselhar-me a castidade - de conter com os laços do matrimônio aquilo de que seu marido lhe falara a meu respeito. Já percebera ela que me era pestilencial, e que mais adiante me seria perigoso - já que essa paixão não podia ser cortada pela raiz. Não pensou nisso, digo, por temer que o vínculo matrimonial frustrasse a esperança que sobre mim acalentava; não a esperança da vida futura, que ela já tinha posto em ti, mas a esperança das letras que ambos, meu pai e minha mãe, desejavam ardentemente: meu pai, porque não pensava quase nada de ti, mas apenas ambições vãs a meu respeito; minha mãe, porque considerava que tais tradicionais estudos das letras não só não me seriam de estorvo, senão de não pouca ajuda para chegar a ti. Assim julgo eu, agora, enquanto me é possível pela lembrança, o caráter de meus pais.

Por isso, soltavam-me as rédeas para o jogo mais do que o permite uma moderada severidade, deixando-me cair na dissolução de várias paixões; e de todas surgia uma obscuridade que me toldava, ó meu Deus, a luz de tua verdade; e, por assim dizer, de meu corpo, brotava minha iniquidade.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) pág. 54-55.

CEGUEIRA DO PAI, CUIDADOS DA MÃE ( I )

Lírio Verde

Criar seu atalho

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01/05/2011 (Quarta-feira)


Capítulo III

Nesse mesmo ano tive de interromper meus estudos, quando voltei de Madaura*, cidade vizinha, onde fora estudar literatura e oratória, enquanto se faziam os preparativos necessários para minha viagem mais longa a Cartago, levado mais pela ambição de meu pai que pelos seus parcos bens, pois, era mui modesto cidadão de Tagaste**.

Mas, a quem conto eu esses fatos? Certamente, não a ti, meu Deus, mas em tua presença conto estas coisas aos de minha estirpe, ao gênero humano, ainda que estas páginas chegassem às mãos de poucos. E para que então? Para que eu, e quem me ler, pensemos na profundeza do abismo de onde temos de clamar por ti? E que há de mais próximo a teus ouvidos que o coração contrito e a vida que procede da fé?

Quem então não cumulava a meu pai de louvores, pois excedendo até seus deveres familiares, gastava com o filho o necessário para tão longa viagem por causa de seus estudos? Porque muitos cidadãos, muitos mais ricos do que ele, não mostravam para com os filhos igual cuidado.

Contudo, este mesmo pai não se importava de saber se eu crescia para ti, ou que fosse casto, contanto que fosse diserto; mas antes eu era deserto, por carecer de teu cultivo, ó Deus, único, verdadeiro e bom senhor de teu campo, o meu coração.

Porém, no meu décimo-sexto ano foi necessária uma interrupção em meus estudos por falta de recursos familiares e, livre da escola passei a viver com meus pais. Avassalaram então minha cabeça os espinhos de minhas paixões, sem que houvesse mãos que os arrancassem. Pelo contrário, meu pai, certo dia, percebendo ao banho os sinais da minha puberdade e vendo-me revestido de inquieta adolescência, como se já alegrasse pensando nos netos, foi contá-lo alegre à minha mãe. Alegria essa gerada pela embriaguez com que este mundo esquece de ti, seu criador, e em teu lugar ama tua criatura; embriaguez que nasce do vinho sutil de sua perversa e mal inclinada vontade para as coisas baixas.
(Por Aurélius Augustinus. *354  -430) pág. 53-54.
*Madaura, hoje Nidaourouck
**Tagaste, hoje Souk-Ahrás (Nigéria)





terça-feira, 31 de maio de 2011

AS PRIMEIRAS PAIXÕES ( II )

Lírio Verde

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31/05/2011 (Terça-feira)
LIVRO SEGUNDO

Capítulo II

Pelo menos eu deveria atender com mais diligência à voz de tuas nuvens: Também eles sofrerão as tribulações da carne; mas eu quisera poupar-vos; e bom é ao homem não tocar em mulher; o que está sem mulher pensa nas coisas de Deus, de como o há de agradar; mas o que está ligado pelo matrimônio pensa nas coisas do mundo, e em como há de agradar a mulher. Estas são as palavras que eu deveria ter ouvido mais atentamente; e, eunuco pelo amor ao reino de Deus, teria suspirado mais feliz por teus abraços.

Mas eu, miserável, tornei-me em torrente, seguindo o ímpeto de minha paixão, te abandonei e transgredi a todos os teus preceitos, sem porém escapar de teus castigos. E quem o poderia dentre os mortais? Sempre estavas a meu lado, irritando-te misericordiosamente comigo, e aspergindo com amaríssimos desgostos todos os meus gozos ilícitos, para que eu buscasse a alegria sem te ofender e, quando a achasse, de modo algum fosse fora de ti, Senhor. Fora de ti, que impões a dor em mandamento, e fere para sarar, e nos tiras a vida para que não morramos sem ti.

Mas onde estava eu? Oh! quão longe, exilado das delícias de tua casa naqueles meus dezesseis anos de idade carnal, quando esta empunhou seu cetro sobre mim, e eu me rendi totalmente a ela, à fúria da concuspiscência que a degradação humana legitima, porém ilícita, de acordo com tuas leis.

Nem mesmo os meus cogitaram em me sustentar na queda, pelo casamento, ao ver-me cair; cuidavam apenas de que eu aprendesse a compor discursos magníficos e a persuadir com a palavra.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) pág. 52-53

AS PRIMEIRAS PAIXÕES ( I )

Lírio Verde

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31/05/2011 (Terça-feira_

LIVRO SEGUNDO
Capítulo II

E que me deleitava, senão amar e ser amado? Mas eu não era moderado, indo de alma para alma de acordo com os sinais luminosos da amizade, pois, da lodosa concuspiscência de minha carne e do fervilhar da puberdade levantava-se como que uma névoa que obscurecia e ofuscava meu coração, a ponto de não discernir a serena amizade da tenebrosa libido. Uma e outra, confusamente, me abrasavam; arrastavam minha fraca idade pelo declive íngreme de meus apetites, afogando-me em um mar de torpezas. Tua ira se acumulava sobre mim, e eu não o sabia. Ensurdeci com o ruído da cadeia de minha mortalidade, e cada vez mais me afastava de ti, e tu o consentias; e me agitava, e me dissipava, e me derramava e fervia em minha devassidão, e tu te calavas - ó alegria que tão tarde encontrei! - tu te calavas então, e eu ia cada vez mais para longe de ti, sempre atrás de estéreis sementes de dores, com vil soberba e inquieto cansaço.

Oh! se alguém refreasse aquela minha miséria, para que fizesse bom uso da fugaz beleza das criaturas inferiores; limitasse suas delícias, a fim de que as vagas daquela minha idade rompessem na praia do matrimônio, já que de outro modo não podia haver paz - contendo-se nos limites da geração, como prescreve tua lei, Senhor, tu que crias o gérmen transmissor de nossa vida mortal, e que com mão bondosa podes suavisar a agudeza dos espinhos, que mantiveste  fora do paraíso! Porque tua onipotência está perto de nós, mesmo quando vagueamos longe de ti.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) pág. 52






segunda-feira, 30 de maio de 2011

A ADOLESCÊNCIA ( I )

Lírio Verde

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30/05/2011 (Segunda-feira)
http://youtu.be/kfe4D0qLKvg

LIVRO SEGUNDO

Capítulo I

Quero recordar minhas torpezas passadas e as degradações carnais de minha alma, não porque as ame, mas por te amar, ó meu Deus. É por amor de teu amor que o faço, percorrendo com a memória amargurada, aqueles meus perversos caminhos, para que tu me seja doce, doçura sem engano, ditosa e eterna doçura. Resgata-me da dispersão em que me disciplinei quando, afastando-me de tua unidade, me desvaneci em muitas coisas.

Tempo houve de minha adolescência em que ardi em desejos de me fartar dos prazeres mais baixos, e ousei a bestialidade de vários e sombrios amores, e se murchou minha beleza, e me transformei em podridão diante de teus olhos, para agradar a mim mesmo e desejar agradar aos olhos olhos dos homens.
(Por Aurelius Augustinus *354  -430) pág. 51)






ORAÇÃO

Lírio Verde

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30/05/2011(Segunda-feira)
capítulo XV

Ouvi, Senhor, minha oração, para que não desfaleça minha alma sob a tua lei, nem me canse em confessar tuas misericórdia, com as quais me arrancaste de meus perversos caminhos; que tua doçura sobrepuje todas as doçuras que segui, e assim te ame fortissimamente, e abrace tua mão com toda minha alma, e me livres de toda a tentação até o fim de meus dias. Pois és, Senhor, meu rei e meu Deus, e a ti consagro quanto aprendi de útil quando criança; a ti consagro quanto falo, escrevo, leio e conto, pois quando aprendia aquelas futilidades, tu eras o que me davas a verdadeira disciplina, e já me perdoaste os pecados de deleite cometidos naquelas vaidades. Muitas palavras úteis aprendi nelas, é verdade; porém, estas também se podem aprender em estudos sérios, e este é o caminho seguro pelo qual deveriam encaminhar as crianças.
(Por Aurelius Augustinus  *354  -430) pág. 45





domingo, 29 de maio de 2011

ONDE ESTÁ DEUS?

Lírio Verde

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29/05/2011 (Domingo)
http://youtu.be/DN23kU98cog

Porventura o céu e a terra te contêm, porque os enches? Ou será melhor dizer que o enches, mas que ainda resta alguma parte de ti, já que eles não te podem conter? E onde estenderás isso que sobra de ti, depois de cheios o céu e a terra? Mas será necessário que sejas contido em algum lugar, tu que conténs todas as coisas, visto que as enche as ocupa contendo-as? Porque não são os vasos cheios de ti que te tornam estável, já que, quando se quebrarem, tu não te derramarás; e quando te derramas sobre nós, isso não o fazes porque cais, mas porque nos levantas, nem porque te dispersas, mas porque nos recolhes.

No entanto, todas as coisas que enches, enche-as todas com todo o teu ser, ou talvez, por não te poderem conter totalmente todas as coisas, contêm apenas parte de ti? E essa parte de ti as contêm todas ao mesmo tempo, ou cada uma a sua, as maiores a maior parte, e as menores a menor parte? Mas haverá em ti partes maiores e partes menores? Acaso não estás todo em todas as partes, sem que haja coisa alguma que te contenha totalmente?
(Por Aurelius Augustinus. *354  -430)  pág. 31



sábado, 28 de maio de 2011

DEUS ESTÁ NO HOMEM, E ESTE EM DEUS

Lírio Verde

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28/05/2011 (Sábado)
http://youtu.be/lfwuZaf6WXw


E como invocarei meu Deus, meu Deus e meu Senhor, se ao invocá-lo o faria certamente dentro de mim? E que lugar há em mim para receber o meu Deus, por onde Deus desça a mim, o Deus que fez o céu e a terra? Senhor, haverá em mim algum espaço que te possa conter? Acaso te contém o céu e a terra, que tu criaste, e dentro dos quais também criaste a mim? Será, talvez, pelo fato de que existe sem Ti, que todas as coisas te contêm? E, assim, se existo, que motivo pode haver para Te pedir que venhas a mim, já que não existiria se em mim não habitásseis?

Ainda não estive no inferno, mas também ali estás presente, pois, se descer ao inferno, ali estarás.

Eu nada seria, meu Deus, nada seria em absoluto se não estivesses em mim; talvez seria melhor dizer que eu não existiria de modo algum se não estivesse em ti, de quem, por quem e em quem existem todas as coisas? Assim é, Senhor, assim é. Como, pois posso chamar-te se já estou em ti, ou de onde hás de vir a mim, ou a que parte do céu ou da terra me hei de recolher, para que ali venha a mim o meu Deus, ele que disse: Eu encho o céu e a terra?
(Por Aurelius Augustinus.  *354  -430) pág. 30.







DO LIIVRO CONFISSÕES ( VI ) (DE AURÉLIUS AUGUSTINUS) *354 -430

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08/06/2011 (Quarta-feira)


Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.

( VI )

Santo Agostinho divide sua vida em antes e depois da conversão, sendo este o marco no qual sua grande paixão secular não deixa de pulsar, porém recebe uma iluminação, mediante a qual o espírito e alma de um homem em busca de sentido de viver continua apaixonado. O fogo que consumia o filho de Mônica passou a arder de outra maneira. Na realidade, sempre foi um ser humano de grande envergadura passional: ocorre que, após a conversão, seu "pathos", este impulso vital, se redireciona. Toda sua energia se canalizava ao serviço da fé cristã, mas tal processo, ele buscou compreendê-lo também pela via da razão. O que chama a atenção e tudo isso é o dualismo de corpo e alma está em choque. O conflito dessa relação entre matéria e espírito identifica o espaço da luta humana para entender-se nessa construção. É onde faz parecer que potencialmente o sagrado está presente no profano. Basta um toque, um acontecimento, para que tudo se esclareça. Foi assim com o bispo de Hipona. Nele, razão e sentimento se entrecruzam no caminho da fé.  Muitas vezes, para expressar o que seria inexprimível, a utilização de metáforas acabou por ser a solução. Para entender Agostinho, é necessário penetrar em seu interior pelos seus escritos, em especial pelas Confissões. 
(Pág. 22)

DO LIIVRO CONFISSÕES ( V ) (DE AURÉLIUS AUGUSTINUS) *354 -430

Lírio Verde
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04/06/2011 (Sábado)


Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.

( V )

Em sua autobiografia, ora narra, ora descreve... e assim segue o filho de Mônica. Trabalha também com aspectos epistolares, o que prende o leitor à sua experiência de vida. Em certos momentos, chega a salmodiar ao Deus que o convertera pela graça via as palavras de Paulo. Na realidade, Agostinho caminha pela Bíblia, mostrando-se grande conhecedor das Escrituras, sentindo-a presente em suas vivências, pois escrevia a partir de sua ótica religiosa. Duas coisas se destacam ao percorrer seus escritos, pois de um lado há o temor a Deus, e, de outro, a confiança na Sua infinita misericórdia. O autor sente-se mesmo como filho amparado pelo Pai, e nisso encontra forças para tudo enfrentar na vida. O que se revela com bastante nitidez na leitura é a grande fé que acompanha esse doutor da Igreja. A familiaridade com o divino é explícita. Confissões também é um livro em que a exortação à luta interior tem um grande foco, e, sem esta, todas as outras nada valem. Neste sentido, Agostinho chega a fazer drama ao contar suas experiências, estando longe e perto do bem. De outra perspectiva, essa sua obra pode ser olhada como incentivadora no que diz respeito aos que se sentem perdidos, angustiados, cansados enquanto descrentes a vagar por mares sem ancoradouro. Sim, o bispo de Hipona também soube ser poeta ao não perder de vista os sentimentos mais profundos da alma humana. E exorta todos a se escutarem, para encontrar aí a voz de Deus. "Ouça, pois, vossa voz em seu interior, quem puder!"
(Pág. 21)



DO LIIVRO CONFISSÕES ( IV ) (DE AURÉLIUS AUGUSTINUS) *354 -430

Lírio Verde

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03/06/2011 (Sexta-feira)

Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.


( IV )


Nas Confissões, é possível fazer também outra leitura. Uma apologia pessoal de Agostinho, já que este tinha de enfrentar-se diretamente com seus inimigos doutrinais, os chamados "hereges", que sempre lhe lançavam ao rosto sua vida desregrada da mocidade. Em tom de humildade, o Santo consegue vencer os sarcasmos de seus perseguidores, pois entrega a eles sua autobiografia e nisso não há melhor modo de se defender. Assim, não mais haveria motivos para que os inimigos de Agostinho encontrassem nele algo de escondido. Também, outro dado relevante, é que dessa maneira ele se expunha a todo e qualquer questionamento sem dar aberturas às invenções que o detratariam. Foi um bom advogado de si mesmo, sob esse aspecto. Adiantou-se ao que poderiam fazer consigo e fê-lo primeiro, seguindo mais uma vez o Evangelho, porque "convidado a dar um passo", deu dois. Pela sua ação, calou os que tentavam caluniá-lo e assim se justifica: "Não me caluniem os soberbos, porque eu conheço bem o preço da minha redenção".
(Pág. 20)  





DO LIIVRO CONFISSÕES ( III ) (DE AURÉLIUS AUGUSTINUS) *354 -430


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02/05/2011 (Quinta-feira)




Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.

( III )








Mais uma vez se retrata a dualidade em Agostinho, o contraste entre a miséria humana e a grandeza de Deus. Aliás, durante a Idade Média, e mesmo depois, não serão poucas as marcas do Agostinismo na Igreja Católica. Mesmo no surgimento de novas ordens religiosas, o embate entre, por exemplo, corpo e alma, seguem de maneira forte. Para isso, basta que se tenha acesso à hagiografia e à devida contextualização. A ideia de culpa, sem dúvida, também está implícita. Ninguém se confessa caso não se sinta culpado com relação a algo, pois é de arrependimento que se trata aqui. É o que sobra ao homem pecador senão confessar as suas fraquezas? Agostinho quer, como cristão, abrir a outros o caminho que trilhou para a conversão. No fundo, esta sua obra, Confissões, é um incentivo àqueles que se sentem perdidos e confusos. O filho de Mônica vem trazer o apoio da graça divina ao espírito perturbado. Quis dividir sua experiência com todos os que tivessem acesso à Confissões, do contrário não a teria escrito. Por outro lado, quis também revelar a infinita misericódia daquele que o salvou, e assim entendia a graça divina: salvadora. É o "amém", o obrigado, de Agostinho dirigido a Deus, que lhe reconhecera nas profundezas de seu espírito e a ele desvelara os segredos mais recônditos de sua consciência.
(Pág. 19-20)

DO LIIVRO CONFISSÕES ( II ) (DE AURÉLIUS AUGUSTINUS) *354 -430

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02/06/2011 (Quinta-feira)




Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.


( II )


Agostinho sustentava duas famílias, porque perdeu seu pai aos vinte anos e porque amava uma mulher pobre. Nisso lhe foi de grande valia sua cadeira de retórica em Cartago. Acabou se tornando um excelente professor e pôde levar sua experiência para outros lugares. Certamente, por longo tempo, ateve-se às precauções com a mulher amada, pois sabia que teria de esperar muito para ficar com ela, pois eram de estratos sociais que não permitiam uma união pela lei. Após tanto sofrimento passional e nas questões da fé, o contato com o bispo de Milão, Ambrósio, muito o auxiliaria e seria determinante na sua futura carreira eclesiástica. Sem a mãe, que morrera, sem o filho, e, agora, querendo estender seu amor a todos que abraçassem a causa da Igreja, dedicou-se a fundação de uma comunidade monástica. Mas o Bispo Valério de Hipona, na Argélia, tinha planos para ele e recebera o endosso dos fiéis. Agostinho tornara-se vigário e, mais tarde, seria bispo da mesma cidade, Hipona, e sucessor de Valério. Nas Confissões, ele revelou-se, pela própria experiência de vida, um ótimo conselheiro tanto para questões íntimas e psicológicas quanto para questões filosóficas e teológicas. Outras obras assumiram em suas letras o espírito de luta do bispo de Hipona para sustentar o credo cristão católico. Foram elas: De Trinitate, Contra os Acadêmicos, Solilóquios, Do Livre-Arbítrio, De Magistro (publicadas neste volume), Espírito e Letra, A Cidade de Deus e as Retratações, em geral, Agostinho, de fato, conseguiu influenciar toda a Idade Média e fez parte do que os historiadores da filosofia denominaram de patrística, a filosofia dos padres da Igreja. Desta filosofia, originar-se-á mais tarde a escolástica, com São Tomás de Aquino como principal interlocutor.
(pág. 14-15)

DO LIIVRO CONFISSÕES ( I ) (DE AURÉLIUS AUGUSTINUS) *354 -430

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a partir de então teremos algumas palavras de Aurelius Augustinus, elevado à categoria de santo pela Igreja Católica.


Introdução de MAURO ARAUJO DE SOUZA - Doutorando em Filosofia, mestre em Ciências da Religião e especialista em História pela PUC-SP. É ex-frade franciscano e professor de Filosofia e História desde 1985. Morou, por dois anos, em Shizuoka-Ken, no Japão. Lá, aprendeu a descobrir a riqueza da Filosofia Oriental.


( I )

Sobre o próprio Agostinho, ou mais precisamente Aurelius Augustinus, converteu-se ao cristianismo aos trinta e dois anos de idade. Em seus escritos, ele leva muito em consideração a questão da graça, pois essa fora sua experiência de busca de sentido para a sua vida. Acreditou que o caminho das Sagradas Escrituras e da fé lhe foram abertos por um chamado divino. A partir de então, o professor de retórica de Tagaste, província da Numídia, atual Argélia, estaria convertido pelas palavras do apóstolo Paulo, expressas na leitura que fora conclamado a realizar por uma voz que o guiava no momento da conversão. Mônica, sua mãe, certamente foi a responsável por sua mudança, pois, desde a infância do filho, muito rezava para que ele seguisse o caminho do cristianismo. Grandes, também, foram as experiências do converso no campo dos estudos filosóficos, além de seu contato com a perspectiva maniqueísta de explicação religiosa antes da adentrada ao mundo cristão, o que significa que ele sempre se preocupou com a questão do bem e do mal, por exemplo. Afora e antes de sua vida religiosa, sua existência fora experimentada nos prazeres, principalmente no sexual. Teve muitas amantes, porém em especial amara muito uma mulher, com quem teve um filho, Adeodato, que veio a falecer na adolescência.
(Pág. 14)

EU VIM AQUI PARA TE DIZER QUE

TE AMO, IRMÃO; TE AMO IRMÀ
.


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