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21/06/2011 (Terça-feira)
21/06/2011 (Terça-feira)
CAPÍTULO X
Restabeleceste-me, pois, daquela doença, e então salvaste o filho de tua serva quanto ao corpo a fim de poder, mais tarde, salvá-lo melhor e mais firmemente. Em Roma juntei-me ainda com os que se diziam "santos", falsos e enganadores. E não só convivia com os ouvintes, entre os quais se contava o dono da casa em que eu adoecera e convalecera - mas também com os que se chamam "eleitos".
Ainda então me parecia que não éramos nós que pecávamos, mas não sei que estranha natureza que pecava em nós; por isso minha soberba se deleitava em me ter como isento de culpa, e portanto de todo se desobrigava a confessar meu pecado, quando agia mal, para que pudesse curar minha alma, que te ofendia*. Antes, gostava de me desculpar, acusando a não sei que ser estranho que estava em mim, mas que não era eu. Na verdade, eu era tudo aquilo, embora minha impiedade me tivesse dividido contra mim mesmo. E o mais incurável de meu pecado era justamente o não me considerar pecador, preferindo, minha execrável iniquidade, que fosses vencido em mim, para minha perdição, ó Deus onipotente, a que vencesses minha alma para minha salvação. Ainda não tinhas posto guarda diante de minha boca, nem porta de proteção ao redor de meus lábios, a fim de que meu coração não se inclinasse para as más palavras, nem buscasse desculpas para seus pecados, como os homens prevaricadores.**. Eis a razão pela qual eu ainda mantinha relações de amizade com os eleitos dos maniqueus. Mas, desesperado de poder progredir para a verdade dentro daquela falsa doutrina, contentava-me a seguí-la até encontrar algo melhor, professando-a já com mais liberdade e frouxidão.
(Por Aurelius Augustinus *354 -430) Pág. 111-112
*Sl 117,1.
**Sl 140,3.
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