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28/07/2011 (Quinta-feira)
28/07/2011 (Quinta-feira)
CAPÍTULO VIII
Enfim, naquela angustiante hesitação, fazia mil gestos, como soem fazer os homens que querem e não podem, ou porque não têm membros, ou porque os têm atados em cadeias, debilitados pelas fraqueza ou paralisados de qualquer outro modo. Se puxei os cabelos, se feri a fronte, se apertei os joelhos entre os dedos entrelaçados, eu os fiz porque quis. Poderia porém querer fazê-lo e não o fazer, se a flexibilidade de meus membros não obedecesse. Portanto, fiz muitas coisas, nas quais o querer não era o mesmo que o poder.
Contudo, eu não fazia aquilo que desejava acima de tudo o mais, e que eu poderia fazer desde que o quisesse, porque se o tivesse efetivamente querido, bastava que o quisesse sinceramente; nisto o poder é o mesmo que o querer, e querer já seria agir.
Contudo não o fazia, e o meu corpo obedecia mais facilmente ao mais leve comando de minha alma, movendo os membros segundo sua vontade, do que a própria alma obedecer a si mesma para realizar seu grande desejo apenas com a vontade.
(Por Aurelius Augustinus *354 +430) Pág. 179
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